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Ana Cristina Borges CEO MDS Re e Brokerslink Regional Manager Middle-East Africa
26.12.2018

Setor segurador em África: oportunidades e desafios

A indústria seguradora em África tem crescido nos últimos anos, tirando partido da baixa penetração dos produtos de seguro, tanto no ramo vida como não-vida, de uma população em rápido crescimento e de um crescimento económico sustentado.

As inovações digitais, nomeadamente os pagamentos móveis e sem recurso a numerário, estão a revolucionar a distribuição de seguros e a criar oportunidades em várias áreas de produto como a agricultura, a vida ou a saúde. Para além disso, afiguram-se mudanças sociais, tecnológicas, económicas, ambientais, políticas e regulamentares que virão abalar e dar nova forma ao ambiente concorrencial de seguradores e corretores a operar em África, pelo que as empresas que pretendem desenvolver-se não têm outra alternativa que não seja a adaptação à constante mudança.

Neste ambiente, os corretores têm um papel de crescente importância. Com os produtos de seguros a exigir maior literacia da parte dos consumidores, o corretor é fundamental para construir relações de confiança entre as partes interessadas.


Importância da presença local 

As regiões africanas apresentam uma enorme diversidade. Cada país tem a sua cultura, legislação, regulamentos e ambiente de risco únicos.  Por isso, acreditamos que as soluções locais são a melhor forma de compreender verdadeiramente a complexidade de cada país e subscrever negócios de forma precisa e eficaz.

A MDS tem atualmente escritórios locais em Angola e Moçambique e, através dos seus parceiros da Brokerslink está representada em 18 países no continente africano. Cada um destes corretores locais da Brokerslink é responsável pela colocação de riscos de seguro e gestão de sinistros segundo os padrões locais, usando o seu conhecimento local e expertise para oferecer o melhor serviço aos nossos clientes.

No quadro do crescimento contínuo da indústria seguradora, estamos determinados a consolidar e expandir a nossa presença nestes mercados africanos ao longo de 2019. Contudo, existem alguns desafios a considerar…

O aumento de regulamentação nos países africanos pode ser visto como um fator positivo. Uma regulamentação mais exigente e padrões financeiros melhorados, com vários países a envidar esforços no sentido de chegar a modelos semelhantes de governação e regulamentação da gestão de risco, trazem clareza, consistência e segurança à indústria seguradora, o que, por seu turno, aumenta a proteção dada aos consumidores. Em última análise, isto facilitará a operação das empresas regionais e multinacionais, assim como dos corretores.

Contudo, a regulamentação excessiva pode apresentar sérios obstáculos à competitividade. Alguns países procuram estabelecer protecionismo de mercado a diferentes níveis, nomeadamente não permitindo a entrada de seguradoras e resseguradores internacionais, ou exigindo que as seguradoras, antes de mais, cedam o risco a resseguradores locais, dando-lhes prioridade sobre o mercado internacional, o que coloca os intervenientes internacionais em desvantagem.

O cumprimento da regulamentação também representa um grande desafio, sendo que há ainda muito outro trabalho a fazer, tal como melhorar os mecanismos de controlo e agravar as penalizações por má conduta.


Publicado na revista Pontos de Vista.
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