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Ana Mota Employee Benefits Managing Director | MDS Portugal
06.05.2019

Qual o futuro dos Seguros de Vida na segunda metade do século XXI?

O seguro de Vida Risco tem como objetivo a previdência pessoal, salvaguardando o bem-estar da família em caso de eventos gravosos, como a morte ou invalidez. 

Estes acontecimentos põem em causa rendimentos e património, nomeadamente por força de responsabilidades e compromissos financeiros, riscos estes que o seguro permite acautelar.

No entanto, as bases do seguro de vida deverão sofrer alterações face as evoluções demográficas, sociais e tecnológicas. Atualmente, os seguros de Vida tradicionais assentam em premissas desadequadas da realidade, não tendo em atenção as alterações que a sociedade tem sofrido ao longo das últimas décadas.

Hoje, em média, os seguros só são válidos até o segurado atingir os 65 anos em caso de Invalidez e os 75 anos (no máximo 80) em caso de morte.

Os potenciais segurados são sujeitos a uma avaliação clínica que se tem mantido inalterada há vários anos, não tendo em consideração novas doenças e o avanço científico ao nível dos tratamentos.

Para além disso, apesar de vivermos numa era marcada pela inovação tecnológica, essa revolução ainda não se fez sentir na evolução dos processos de compra deste tipo de seguro, que, na sua maioria, continua a ser subscrito via entidades bancárias e mediadores/corretores. 

E em 2050, o que sobreviverá do atual modelo? Muito pouco. 

Por certo, o objetivo principal em fazer um seguro será o mesmo – proteger património e rendimentos - mas o contexto será muito diferente.

Antes de mais, a esperança média de vida deverá aumentar exponencialmente. Estudos referem que, com grande probabilidade, a mesma poderá atingir os 120 anos ou mais e há quem já fale na possibilidade de se alcançar a imortalidade. Adicionalmente, a idade ativa irá muito para além dos 65-70  anos. Segundo algumas projeções, em 2050 as pessoas com mais de 65 anos representarão mais de 50% da população ativa.

Mas se em média vamos viver mais, que doenças iremos enfrentar? Em virtude das evoluções da biogenética e de outras tecnologias ligadas à saúde, é possível antecipar a que doenças estaremos expostos, através, por exemplo, do mapeamento genético. Com o surgimento de novos tratamentos mais eficazes, será de prever um cenário de doenças crónicas – com custos elevados de tratamentos, mas que permitam manter-nos ativos e menos dependentes.

Quais os desafios para a indústria seguradora?
Num cenário de envelhecimento da população, os desafios para o sector segurador multiplicam-se. Em primeiro lugar as idades limite de cobertura dos riscos de morte e mesmo da invalidez terão inevitavelmente de subir, acompanhando a longevidade. Será assim expectável segurar pessoas com 90 ou mesmo 100 anos.

Mas como será a aceitação de risco pelas seguradoras? Se os riscos forem mais facilmente avaliados, previsivelmente a possibilidade de os cobrir também  será mais ampla. No entanto, coloca-se a questão de saber se os cidadãos estarão disponíveis para dar a conhecer os seus dados genéticos.

Fará sentido só cobrir situações de morte e invalidez por acidente num cenário que as doenças sejam previsíveis e "facilmente” controladas pela Medicina? Tal poderá justificar-se. 
Uma certeza é que as atuais formas de comercialização farão parte da história dos seguros. Os processos de contratação da grande maioria (ou mesmo a totalidade) dos seguros de vida tenderá a aproveitar as vantagens da digitalização, com processos e produtos simples, intuitivos, muito flexíveis.

Os corretores terão um papel crucial, atuando como consultores especializados para clientes empresariais e individuais, desenvolvendo novas soluções de seguros e plataformas digitais de venda e gestão. Uma realidade que já começa a ganhar expressão.

Prever o futuro é algo no domínio dos modelos estatísticos, com muitas incógnitas e um quê de adivinhação, mas uma coisa é certa: quanto mais anteciparmos cenários mais preparados estaremos para os enfrentar.


Publicado no suplemento Mais Seguros do Vida Económica.

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