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Liliana Cerqueira MDS Portugal | Directora de Recursos Humanos
Liliana Cerqueira
20.11.2019

Employer Value Proposition (EVP) & Storytelling

A great story is true. Not necessarily because it's factual, but because it's consistent and authentic. (Seth Godin)

Todos os seres humanos são contadores de histórias. Contam-nas aos outros e a si próprios. Isto porque os nossos processos psicológicos estão organizados de modo narrativo e a nossa visão do mundo processa-se a partir da construção e da desconstrução de narrativas, de experiências quotidianas, às quais atribuímos significado e propósito.

Estas narrativas têm a função de orientar os processos cognitivos mais complexos (memória, expectativas, autopercepção), os processos emocionais, as relações interpessoais e, muito importante, a organização dos planos para o futuro (projetos).

 

É nesta vertente de análise de cariz psicológico, fundamentada em ideias originariamente postuladas por M. White e D. Epston nos anos 80, que teço algumas considerações sobre o conceito de Employer Value Proposition (EVP).

 

Pensemos, então, numa organização e na multiplicidade de pessoas que a compõem: os seus storytellers.

Através das suas narrativas partilhadas são ilustradas emoções, atributos e significados que irão colorir todo um imaginário do recetor dessa informação, seja este alguém de dentro ou de fora da empresa.

Cultura, ambiente, carreira, reconhecimento, comunicação, benefícios reais (e percebidos) povoam as narrativas dos colaboradores acerca da sua experiência.                          

E é, justamente, nestes aspectos extrínsecos e, sobretudo, intrínsecos à empresa e ao seu quotidiano, que se centra a EVP.

 

Vale pois a pena parar para pensar, enquanto empresários ou profissionais de RH, quando estamos a olhar para o mercado e a tentar seduzir candidatos com a nossa EVP, que histórias contam os actuais colaboradores? E aqueles que já partiram? Existe convergência entre a empresa e os colaboradores no que respeita à EVP? O que responderiam a estas perguntas: Porque gosta/gostou de trabalhar na nossa organização? Recomendaria a algum amigo trabalhar nela?

 

Sendo um EVP um manifesto de propósito, até que ponto esse propósito é ilustrado com uma narrativa apelativa, inspiradora, autêntica, consistente, original e, por isso mesmo, difícil de replicar?

Uma boa forma de ''medir o pulso'' à EVP é, por exemplo, espreitar plataformas como o Glassdoor que se apresentam como "livros abertos” sobre as empresas, proporcionando a actuais e ex-colaboradores o registo das suas narrativas, com base nas suas experiências. Para quem está de fora, essas narrativas funcionam como um propósito invisível tornado visível. E, se para uns funcionam como uma fotografia enviesada, outros tomam-nas como verdades absolutas que, seguramente, poderão condicionar tomadas de decisão nas suas vidas profissionais.

 

Vale a pena, por isso, revisitar a(s) história(s) e, se for preciso, recriar a narrativa para que, no final do dia, todos - empresas e indivíduos - tenhamos narrativas especiais, únicas e incríveis para contar!


Publicado em RH Magazine


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