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Os Seguros de Crédito e a Crise

Que solução comporta o Seguro de Crédito face à Crise?

Os Seguros de Crédito e a Crise
A própria definição da palavra "crise”, por si só, explica quase todos os acontecimentos que verificamos nos dias de hoje. Oriunda do latim, tem equivalência semelhante à da palavra "vento”, transmitindo assim a ideia de alternância. Uma vez passada a ocorrência, não existe hipótese de retomar antigos padrões. Toda a crise conduz assim a um acentuar da vulnerabilidade.

Numa definição mais simplista, podemos definir Crise como sendo simplesmente um "período anormal” entre dois "períodos normais”. O problema é que neste momento não sabemos exactamente o que classificar como "períodos normais”.

Positivamente, e é assim que os gestores deveriam pensar, as Crises deveriam ser vistas como uma oportunidade de "começar tudo de novo”, mas com mais inteligência…

Criar valor implica sempre assumir riscos. Diariamente os gestores com cultura de "risk apetite” têm um enorme "desgaste” nas suas análises financeiras pois estas têm obrigatoriamente que contemplar preocupações ao nível do Risco Económico e do Risco Financeiro. A tudo isto acresce o aumento potencial do crédito entre empresas, impulsionado pela mundialização e pela necessidade de entrar em Mercados além fronteiras.

Esta tarefa está a ser cada vez mais delegada em "experts” externos, no que confere à análise e aceitação do risco inerente. É neste momento, perante a necessidade de dominar o "risk awareness”, que se torna fundamental encontrar um parceiro de Risco, nascendo a necessidade do Seguro de Crédito.

O Seguro de Crédito por seu lado, e mais uma vez de forma muito simplista, assegura as transacções (a crédito), entre empresas, desde que estas últimas tenham "direito” a crédito aos olhos dos analistas de risco dos próprios Seguradores. O Seguro de Crédito cobre os casos de Insolvência (de facto ou de direito) do comprador, ou seja, cenários em que empresas não tenham capacidade para atempadamente "honrarem” o compromisso de pagamento, ou no caso de "falências”.

Com a crise Mundial acendeu-se a luz vermelha de muitas empresas, e a procura de Seguros de Crédito disparou a nível Mundial. Os seguradores, por seu lado, estão mais restritivos pois sabem perfeitamente que o tipo de gestores que os procuram somente neste momento, têm uma lógica diferente da real actuação do seguro de Crédito. Estes últimos vêem no seguro de Crédito uma última salvação para a incerteza ou mesmo para um cenário catastrófico.

Por seu lado, os Seguradores vêem o Seguro de Crédito como uma parceria de Risco de longo prazo, que tem que ir sendo consolidado com a relação de confiança que vai amadurecendo ao longo do tempo, que uma vez incutida, leva a que, em determinados momentos, os Seguradores "acompanhem” o seu cliente numa atitude mais ousada, o que logicamente não pode acontecer quando não existe experiência.

Que solução comporta, então, o Seguro de Crédito face à Crise?
Embora todos os Seguradores tenham a Banca como principal accionista, são estes que auxiliam os gestores no seu dia-a-dia no que respeita ao "Credit Management”.

Os Seguradores de Crédito não se limitam à Indemnização. Estes, quando bem "trabalhados” pelos gestores fornecem informação e apoio importante
ao nível de:
• Mercado Alvo a Penetrar e sua caracterização (Prospect de clientes);
• Informação Objectiva da Análise Creditícia da empresa cliente (Rating ou Limite de Credito passível de ser atribuído);
• Monitorização da carteira de clientes cobertos pela apólice, alertando-os da degradação financeira e da possibilidade de incumprimento de um dado devedor;
• Procedimentos de Gestão de Cobrança (que devido à maior pressão que pode causar juntos das empresas, pelo seu "peso” no Mercado), levam a bons índices de recuperação de valores antes da indemnização;
• "Filtragem” e resolução de situações de tentativa de utilização de cenários de Crédito Litigioso, como objectivo do terceiro para não proceder ao pagamento;
• Gestão dos processos de Indemnização;
• Indemnização, após ter decorrido o período considerado mora;
• Possibilidade de pós-indemnização, e mediante acordo entre as partes, o Segurador continuar com as diligências de recuperação do valor que esteve na origem do sinistro.

Embora o Seguro de Crédito exista desde o pós‑guerra, quando foi usado para restabelecer as exportações interrompidas por alguns países, é nos últimos 20 anos que o mesmo tem registado, nas "agendas dos gestores”, maior interesse, potencializando assim o seu crescimento, em especial nos últimos 10 anos.

Actualmente as Apólices a Nível Mundial garantem créditos superiores a US$ 2,15 mil milhões, especialmente na Ásia e Europa. Para termos uma ideia, no Brasil e somente no 1º trimestre de 2008, a procura deste "instrumento” cresceu 83% face ao mesmo período de 2007. Em Portugal, e no que se refere a 2008, o aumento (do volume de facturação dos Seguradores de Crédito), foi de 28,88% face a 2007. A média europeia situou-se na casa dos 23,53% de crescimento.
A nível mundial, e no que respeita aos Rankings dos seguradores de Crédito temos, por ordem de facturação total (seguros e serviços):
1 EULER-HERMES (que detém 50% da COSEC), € 2.166 Milhões de turnover
2 COFACE (presente directamente em 40 Países), € 1.682 Milhões de turnover
3 ATRADIUS (detida pela CyC), € 1.522 Milhões de turnover
4 QBE Insurance (presente directamente em 45 Países)

Em Portugal estima-se que num universo de 331.250 Empresas (das quais cerca de 300.000 são PME’s e Empresários em Nome Individual), apenas 3.700 tinham, em Dezembro de 2008, subscrito um Seguro de Crédito. O crescimento face a 2007 (ao nível do nº de empresas) foi de 5,7%, o que é manifestamente insuficiente face à tipologia e vulnerabilidade do Mercado Português.

Em Portugal existem actualmente a operar 5 players de Seguro de Crédito, que são a CESCE, a COFACE, a COSEC, a Credito Y Caución e por último (por ordem alfabética), a MAPFRE.
O ano de 2008, em Portugal, ficou marcado

como sendo o primeiro ano (da Economia Moderna), em que se verifica que o valor absoluto das indemnizações (custos com as Indemnizações), superou (em cerca de 2% a 4%), o valor absoluto dos prémios cobrados pelas apólices emitidas.
Ou seja, enquanto em 2004 a Taxa de sinistralidade se situou nos 56%, no ano de 2008 essa mesma taxa ascendeu a valores situados entre os 102% e 104%.

A Euler-Hermes, que detém aproximadamente 37% do Mercado Mundial de Seguro de Crédito, publica de forma periódica uma análise sobre a tendência de determinados Sectores em várias Economias Mundiais, a nível micro e macroeconómico.
A sua última análise é interessante.

Por Marcos Polónia - Diretor Crédito e Riscos Financeiros na MDS 
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