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Marcas brancas

Experiência e rapidez na introdução no mercado. Por César Silvestre, Beazley

Desenvolver um novo produto de seguro exige um investimento significativo e um profundo conhecimento do produto. Para muitos seguradores, esta exigência inicial impede‑os de expandir o seu portefólio de produtos.

Contudo, os produtos de "marca branca” apoiados por resseguro, que há muito são populares nos EUA, começam a captar interesse de seguradores por toda a Europa, especialmente em produtos como os de ciber‑risco direcionados para as PMEs. César Silvestre, Subscritor de Tratados de Resseguro de Especialidade na Beazley, explica como a "marca branca” nos produtos funciona e as vantagens oferecidas por eles.


O que é a marca branca?
Neste contexto, e descrevendo‑a de forma simples, a marca branca é o resultado de um processo em que uma resseguradora desenvolve uma solução de seguro específica baseada nos seus próprios produtos que pode, depois, ser adicionada à oferta de produto de uma empresa cedente, com adoção da marca desta. O ressegurador assume o risco ressegurando essa carteira e,  habitualmente, fornece serviços de regularização de sinistros.

Não sendo prática nova, os seguros de marca branca têm sido adotados por seguradores Europeus como forma de oferecer, de forma economicamente viável, produtos de linhas especializadas sem ter de investir fortemente nas suas próprias capacidades de desenvolvimento de produto.

A vantagem para a empresa cedente é que o ressegurador assume o risco ressegurando a carteira de negócio, às vezes a 100%, enquanto a cedente retém e gere as suas relações com os seus clientes e lhes oferece "novos” produtos com um nível reduzido de risco.

Para os resseguradores, fundamentalmente, esta é uma jogada de distribuição. Não só obtêm acesso a novos mercados como a redes de distribuição e clientes que, de outra forma, não alcançariam, como é o caso dos grupos mutualistas ou de bancasseguro, cujos clientes tendem a ser leais e inclinados a adquirir novos produtos através das relações já existentes e de sua confiança com as seguradoras.



Rapidez de entrada no mercado
Uma vantagem oferecida pela marca branca é que os produtos podem chegar ao mercado mais depressa, permitindo  os seguradores concorrer no seu mercado local e responder mais rapidamente à procura por parte dos clientes.

Esta velocidade de entrada no mercado é uma das maiores causas de interesse nos produtos de marca branca na Europa, sendo‑o igualmente a crescente popularidade do seguro contra ciber‑risco para as PMEs.

Desde a implementação do RGPD que os proprietários de PMEs estão consciencializados da importância da gestão de privacidade dos dados e do papel que o seguro contra ciber‑risco pode desempenhar na mitigação desse risco – antes e depois de violação de dados.

Por via de modelos tradicionais, o desenvolvimento de produtos de ciber‑risco exige muito conhecimento técnico no seio da própria organização e, nesta linha de negócio em desenvolvimento, a especialização dos subscritores vale ouro.

Os produtos ciber também constituem a vanguarda dos produtos baseados em serviços, que oferecem aos segurados uma série de serviços pre‑e pos‑fuga de dados além da compensação financeira caso ocorra um sinistro.

Desenvolver relações e as equipas necessárias de especialistas para responder a um cenário de violação de dados leva tempo e exige  investimento financeiro. disso, a falta de histórico de perdas e a natureza fluida do ciber‑risco torna difícil a sua modelação. Em resultado, muitos seguradores de negócio em desenvolvimento, contra o ciber‑risco, apesar de os seus clientes o solicitarem.


Serviços abrangentes 
Para que os produtos de marca branca resultem, cedentes e resseguradores precisam de desenvolver uma boa relação profissional a longo prazo.

Isto exige o desenvolvimento de uma relação próxima logo à partida, com o ressegurador a investir tempo para se encontrar com o cedente e os seus clientes e corretores, para compreender o negócio do cedente, os seus sistemas e as exigências de produto.

As duas empresas constituem então uma parceria e estabelecem um acordo para o desenvolvimento do produto personalizado em todas as vertentes, desde os formulários das apólices aos serviços de regularização de sinistros.

Trabalhando em grande proximidade com as empresas cedentes, os resseguradores procuram inserir o produto no seu portefólio de produtos. Isto requer o desenvolvimento de tabelas de preços, regras de subscrição e garantias de apoio de marketing, e formação de subscritores e gestores de desenvolvimento comercial onde for necessário.

Os resseguradores podem aconselhar ou assistir na construção de soluções tecnológicas ao nível dos sistemas já que, tipicamente, a seguradora precisará de desenvolver uma plataforma adequada para suporte à nova linha de negócio.

O ressegurador também analisará e adaptará os clausulados às jurisdições e costumes dos locais onde o cedente pretenda comercializar esse produto.

Isto é de especial relevo em áreas onde existam restrições sobre a forma e local de aplicação dos contratos de resseguro, para assegurar que as partes operem dentro do permitido pela legislação local.


Áreas de atuação
A procura crescente de seguro contra ciber‑risco e violação de dados chega aos jornais, mas a marca branca é também adequada a várias outras linhas especializadas como a responsabilidade civil profissional, responsabilidade civil de diretores e administradores, responsabilidade civil de práticas de emprego e responsabilidade civil ambiental.

À medida que os cedentes começam a ver os benefícios dos produtos de marca branca, começam a querer expandir a gama de produtos que oferecem e estamos a sentir o interesse em todas estas linhas  especializadas.

Para que estas relações de parceria possam ser bem‑sucedidas, é de importância vital que cedentes e resseguradores sigam os trâmites devidos antes de concluírem acordos de marca branca, para assegurarem o sucesso e a rentabilidade a longo prazo.

Tais trâmites incluem a verificação da integridade financeira, o conhecimento e compreensão mútuos do negócio, e controlos de gestão de sistemas e de subscrição. Em nossa opinião, a marca branca, se usada com eficácia, oferece uma abordagem que resulta para os resseguradores, seguradores, corretores e, é claro, os tomadores de seguros.

É uma solução bem experimentada e testada que pode transformar o acesso aos seguros especializados por parte dos cedentes e das PMEs suas clientes.


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