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FOSUN

Crescimento a alta velocidade no mercado segurador

FOSUN

A Fosun, o maior conglomerado privado da China, tornou-se, no ano passado, num grupo segurador verdadeiramente global. Reforçou a participação que tinha no maior grupo segurador de Portugal, incluindo uma participação de quase 90% na companhia Fidelidade, e comprou a companhia de seguros norte-americana Meadowbrook Insurance Group (MIG) e a Ironshore, a companhia de seguros com sede nas Bermudas dedicada a seguros especializados, que se vem juntar as companhias de seguro e resseguro que o grupo detém na Asia. 

As operações na área dos seguros integram-se assim num conjunto de empresas em franco crescimento que a Fosun detém noutras áreas, tais como a industrial, a de lifestyle e a da saúde, numa altura em que o presidente do grupo, Guo Guanchang, tem como alvo tornar-se "o Warren Buffet chinês”, afirmando que o grupo se encontra na "superautoestrada” do crescimento.

Adrian Ladbury lanca um olhar mais atento a estratégia global para os seguros, além de refletir também sobre o recente crescimento do grupo.

 

O grupo Fosun foi fundado em 1992 por cinco licenciados da Universidade de Fudan na China. Originalmente uma empresa de pesquisa de mercado transformou-se, nos últimos 24 anos, no maior conglomerado privado da China.

Guo Guanchang, presidente do conselho de administração e principal acionista do grupo, baseia claramente a sua estratégia na que foi levada a cabo com tanto êxito pelo lendário investidor norte-americano Warren Buffet.

Em termos muito simples, Buffet usa o fluxo gerado pelas companhias de seguros, que não tem de ser devolvido imediatamente aos titulares das apólices para investir numa grande variedade de outras empresas de setores não relacionados.

Estas empresas beneficiam obviamente de termos e condições de cobertura preferenciais por parte das companhias de seguros do grupo, uma vez que estas conhecem respetivo perfil de riscos daquelas empresas melhor do que qualquer concorrente. Ao mesmo tempo, os prémios gerados alimentam o fluxo criando um círculo virtuoso. O grupo investe também de forma significativa e detém atividades de gestão de ativos que beneficiam tanto as operações industriais quanto as companhias de seguros.

É necessário um capital significativo para que este sistema funcione, uma vez que as companhias de seguros têm de diversificar a sua atividade através de vários segmentos e territórios para evitar cúmulos de risco indesejáveis; daí a recente expansão internacional.

Além dos fundamentos da estratégia empresarial de Buffet, Guo Guanchang segue também o exemplo do investidor norte‑americano, escrevendo uma longa e reveladora carta aos acionistas quando apresenta os resultados anuais do grupo.

Na última carta, publicada no mês passado por ocasião da divulgação dos resultados do ano de 2015, Guo Guanchang explicava assim a estratégia: "O grupo considerou a atividade seguradora como uma boa forma de combinar a capacidade de investimento da Fosun com capital a longo prazo de alta qualidade. Por um lado, as companhias de seguros podem aumentar os resultados da subscrição alavancando-se na grande experiência e no conhecimento especializado das operações no setor segurador e financeiro, e, por outro, poderão também ajudar o grupo a obter maiores receitas de investimento por meio de práticas de investimento eficazes. Assim, seguros e investimento serão as nossas atividades de base no futuro”, explicou.

Tal como a Berkshire Hathaway de Buffet, a Fosun está a sair-se muito bem neste mercado segurador global altamente competitivo. Guo Guanchang revelou que, à data de 31 de dezembro de 2015, o total de ativos de seguros geridos era de 180,6 mil milhões de yuans (27,9 mil milhões de dólares). Este valor representava 44,6% do total de ativos do grupo e significou um aumento em relação aos 32,9% registados no final de 2014.

O total de ativos de investimento foi de 160,4 mil milhões de yuans (24,8 mil milhões de dólares), um aumento de 50,2% em comparação com 2014. O lucro anual da atividade seguradora atribuível aos proprietários da empresa-mãe subiu 88,4%, tendo atingido os 2,10 mil milhões de yuans (320 milhões de dólares) e representou 26,2% do resultado líquido do grupo.

De 2013 a 2015, o lucro aumentou a uma taxa de crescimento anual composta de 100,5%, divulgou Guo Guanchang. Mas como conseguiu a Fosun construir uma presença tão forte no negócio segurador? 

 

 

Primeiro passo com a Yong’an

A Yong’an P&C Insurance foi fundada em 2003, tem sede em Xi’an e constituiu o primeiro investimento da Fosun no mercado segurador. O grupo detém uma participação de 19,93% no capital da Yong’an, uma companhia de seguros chinesa que subscreve todo o tipo de seguros do ramo Não Vida e que estava classificada no 11o lugar do mercado de seguros patrimoniais e de responsabilidades (P&C), em 2014.

Atualmente, o mercado chinês e altamente competitivo e não é fácil obter lucros. É difícil encontrar informação financeira sobre a Yong’an, mas, na carta que acompanhava a divulgação dos resultados do grupo em 2015, Guo Guanchang afirmava que esta companhia de seguros "tomou a iniciativa de adaptar e transformar” a sua atividade e que continuara a fazê‑lo em 2016, indicando que passou por momentos difíceis tal como o resto do mercado chinês.

O grupo declarou que a Yong’an abandonou certos negócios "menos eficientes” e "otimizou constantemente” o seu portefólio de negócios. Além disso, aumentou a capacidade de produção per capita, reduziu os custos de regularização de sinistros, reforçou o desenvolvimento e a inovação e explorou ativamente as aplicações para a Internet.

Não obstante a necessidade de "adaptação”, a Yong’an registou uma receita bruta de prémios de 8,1 mil milhões de yuans, um resultado liquido de 833,3 milhões de yuans, ativos de investimento no valor de 10,9 mil milhões de yuans, um rácio combinado liquido de 98% e um rácio de solvência de 263,7%. O retorno sobre o investimento total foi de 10%. Os resultados mostram, assim, que a Yong’an não está a sair‑se nada mal.

 

Segundo passo: Pramerica

O grande passo seguinte da Fosun no mercado segurador foi dado em setembro de 2012, altura em que anunciou uma joint‑venture com o gigante norte‑americano de serviços financeiros Prudential Financial. A empresa, designada Pramerica Fosun Life Insurance Company Limited (PFI), é uma joint‑venture que começou com um capital social de 500 milhões de yuans.

Trata‑se da primeira empresa do ramo Vida fundada em conjunto por um investidor privado chinês e um investidor estrangeiro.

Guo Guanchang afirmou na altura: "O setor dos seguros de vida na China está a crescer rapidamente, movido por um enfoque crescente na proteção dos meios de subsistência das famílias do país inteiro. Esperamos tirar beneficio da profunda experiência atuarial, do conhecimento no que respeita a gestão de ativos e da história de 137 anos de sucesso da PFI no setor dos seguros de vida, num momento em que avançámos juntos no desenvolvimento de produtos que respondem às necessidades de seguro de vida deste mercado”.

No mais recente relatório financeiro, o de 2015, a Fosun afirmava que, nos últimos anos, os prémios recebidos pela PFI aumentaram de forma rápida na sequência de vários projetos inovadores. Guo Guanchang afirmou que a empresa promove continuamente a inovação nos seus produtos e está também a explorar um novo modelo de vendas de "Seguro + Gestão de Saúde + Comunidade de Reformados + Alocação de Ativos no Estrangeiro” e seguro para ações de crowdfunding.

O grupo oferece um amplo pacote de seguros que vai desde o seguro de vida, ao de acidentes e doenças graves, passando pelo seguro de vida misto ("Universal Life”) e pelo seguro de saúde.

Em 2015, a receita de novos prémios anuais e o total de prémios da PFI foi de 125,3 milhões e de 978,1 milhões de yuans respetivamente (incluindo, em ambos os casos, os depósitos dos titulares de apólices de seguro de vida misto "Universal Life”).

A empresa registou também uma receita bruta de prémios de 57,2 milhões de yuans, um prejuízo líquido de 113 milhões de yuans, ativos de investimento no valor de 1,9 mil milhões de yuans, um rácio de solvência de 985,5% e um retorno sobre o investimento total de 6,9%.

 

 

O caminho para o topo

Em janeiro de 2013, a Fosun criou a Peak Reinsurance Company Limited (Peak Re), um ressegurador sediado em Hong Kong e concebido para absorver a procura crescente por soluções de resseguro "state of the art” na região da Ásia‑Pacífico. A empresa começou com um capital inicial de 550 milhões de dólares.

A Peak Re é, na verdade, detida conjuntamente com a International Finance Corporation (IFC), uma organização membro do grupo Banco Mundial centrada no desenvolvimento do setor privado. A IFC investiu 82 milhões de dólares em 14,9% da empresa.

No momento do lançamento, Guo Guanchang afirmou: "Acreditamos que o investimento na Peak Re permitirá, juntamente com os outros projetos da Fosun na área dos seguros, um fluxo de receitas estável decorrente da atividade seguradora que sustentará as nossas atividades de investimento, criando as condições para fazer da Fosun um ‘grupo de investimento de referência’”.

O grupo salientou que há demasiado tempo que a região da Ásia‑Pacífico se caracteriza por uma situação de infra-seguro, destacando que, na sequência de uma série de catástrofes naturais na região em 2011, incluindo as inundações na Tailândia, o sismo e tsunami de Tohoku no Japão, o sismo na Nova Zelândia e as inundações na Austrália, menos de 22% do total de prejuízos económicos registados estavam segurados.

 

Este valor era consideravelmente inferior ao rácio de perdas económicas seguras nos Estados Unidos e na Europa naquela data, o qual se situava em cerca de 64% e 50%, respetivamente. Além disso, em 2010, a China sofreu as mais devastadoras inundações em dez anos, que provocaram cerca de 50 mil milhões de dólares de prejuízos económicos, dos quais apenas mil milhões estavam cobertos por seguro.

Assim, a Peak Re criou planos para investir "significativamente” na investigação e no desenvolvimento de soluções de gestão de risco para famílias e empresas da região. Segundo os responsáveis, nos seus primeiros cinco anos de existência, a Peak Re planeava entrar, juntamente com a IFC e a Fosun, nos mercados asiáticos emergentes como o chinês, o indiano e o indonésio. O novo ressegurador afirmou também que planeava crescer orgânica e estrategicamente através da aquisição de carteiras de seguros rentáveis. 

No ano passado, a Peak Re deu passos importantes no sentido de diversificar a sua atividade quer em termos geográficos quer no que se refere aos produtos disponibilizados. A empresa anunciou um plano para adquirir uma participação de 50% no grupo de seguros caribenho NAGICO Holdings Limited, em julho de 2015. Esta aquisição está atualmente dependente da aprovação do regulador.

A Peak Re abriu também escritórios em Zurique em setembro de 2015, de forma a ficar mais próxima dos seus clientes na Europa e a diversificar ainda mais a sua carteira de negócios.

A Fosun revelou que a atividade do ressegurador na região da Ásia‑Pacífico se expandiu gradualmente, acrescentando que fez também progressos significativos na Europa e na América do Norte. Em 2015, o valor bruto de prémios subscritos na Europa e na América do Norte representava 41,5% do total de receitas de prémios, o que significou um aumento de 24,4% relativamente aos 17,1% de 2014. 

No final do ano passado, a Peak Re contava com mais de 285 clientes em 47 mercados do mundo inteiro, em comparação com os 175 clientes registados no final de 2014. A empresa vendeu 582,7 milhões de dólares em prémios de seguros em 2015 em comparação com os 288,1 milhões de dólares registados no período homólogo de 2014. O resultado líquido foi de 59,2 milhões de dólares, uma subida de 17,6 milhões relativamente a 2014. O rácio combinado líquido foi de 96,8%, o rácio de solvência de 754%, os ativos de investimento representaram 913 milhões de dólares e o retorno sobre o investimento foi de 6,4%.

 

 

Fosun chega a Europa… via Portugal

O maior passo em frente na história de crescimento da Fosun na área dos seguros foi dado em maio de 2014, altura em que o Presidente da China, Xi Jinping, e o Presidente da Republica Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, testemunharam a assinatura dos documentos que asseguraram a conclusão da aquisição por parte da Fosun de 80% do capital e dos direitos de voto nas companhias Fidelidade, Multicare e Cares, hoje conhecidas coletivamente como grupo Segurador Português, por 1038 milhões de euros. As três empresas eram subsidiárias detidas na totalidade pela Caixa Seguros e Saúde (CSS), o ramo de seguros do banco estatal CGD. 

Os responsáveis da Fosun afirmaram, depois de concluída a aquisição, que a empresa tinha dado um "passo de gigante” no sentido de se tornar um grupo de investimento de primeiro plano movido por dois motores individuais: "capacidade financeira abrangente baseada na atividade seguradora” e "capacidade de investimento sustentada numa profunda consolidação industrial”. Este passo, disseram os responsáveis do grupo, aproximou o grupo da implantação do "modelo de desenvolvimento de Warren Buffet”.

O total de ativos não auditado do grupo Segurador Português era de 12,8 mil milhões de euros no final de 2013. Numa base pró‑forma, depois da consolidação do grupo Segurador Português, a proporção de ativos de seguros da Fosun relativamente ao total de ativos do grupo aumentou significativamente de 3% para 39%.

"Sendo a atividade seguradora a atividade central para o desenvolvimento da Fosun, a cooperação entre a Fosun e o grupo Segurador Português irá indubitavelmente ser duradoura e estável. A Fosun tem confiança total na equipa de gestão atual e tem o compromisso de manter a estabilidade da estratégia empresarial em curso. Através do trabalho de ambas as partes e das sinergias alcançadas com os recursos partilhados em vários aspetos, a Fosun espera desenvolver produtos e serviços de maior qualidade como parte dos seus esforços para alcançar um retorno sustentável para os acionistas, funcionários e clientes”, declarou a Fosun.

O grupo chinês afirmou ainda que iria facilitar a colaboração e a sinergia com outras companhias de seguros em que investira, seguindo mais uma vez o modelo de Buffet. "Por exemplo, irá facilitar a colaboração com a Peak Reinsurance, de forma a baixar os custos de resseguro, e cooperará com a Yong’an P&C Insurance na área das tecnologias, dos produtos e dos canais de vendas, de modo a conseguir um desenvolvimento rápido da atividade. Por outro lado, a Fosun fará uso da capacidade de investimento de base para otimizar o portefólio de investimento e, assim, aumentar os retornos sobre o investimento do grupo Segurador Português, especialmente através da combinação com as estratégias de investimento global da Fosun. A Fosun irá também fazer uma análise completa das oportunidades de investimento na Europa e nos mercados da OCDE e alargará o âmbito da atividade, minimizando os riscos sistémicos da concentração geográfica através da diversificação”, explicou a Fosun.

O grupo chinês acrescentou que tem vindo a identificar ativamente diferentes tipos de "oportunidades de investimento de valor” no mundo inteiro e chegou à conclusão de que, apesar dos recentes problemas económicos de Portugal, o país continua a ser um mercado‑chave apelativo e que se enquadra perfeitamente na estratégia de expansão global da Fosun. 

"A Fosun mantem‑se atenta a outras oportunidades de investimento noutros setores do mercado português, em especial do imobiliário, do turismo e dos produtos de marca”, acrescentou a Fosun.

A Fosun abriu um escritório que representa a empresa em Lisboa, cidade a partir da qual poderá dar maior apoio ao grupo Segurador Português, explorar investimentos noutros setores em Portugal e reforçar o intercâmbio e a cooperação sino‑portuguesa, afirmou o grupo. 

"Este passo permitirá também a Fosun dar uma contribuição, ainda que diminuta, para a recuperação da economia portuguesa. A Fosun pretende fazer a ponte no sentido de facilitar o desenvolvimento de negócios na China por parte de empresas portuguesas e o desenvolvimento de atividades em Portugal por empresas originárias da China”, acrescentou o grupo.

No início de 2015, a Fosun reforçou a participação no capital da Fidelidade, tendo chegado aos 84,986%. A Fosun Insurance Portugal e, presentemente, um operador global significativo no mercado segurador português. A Fosun indicou, no mais recente relatório de resultados anuais, que vende produtos em todos os principais segmentos de negócio e que conta com a maior e mais diversificada rede de vendas de seguros de Portugal. Esta rede inclui agentes exclusivos e multimarca, corretores, dependências próprias, canais na Internet e no telefone. Conta também com fortes parcerias de distribuição com os CTT e a Caixa Geral de Depósitos, um dos principais bancos portugueses.

A Fosun Insurance Portugal está também ativa em sete países de três continentes (Europa, Ásia e África). Durante o ano a que dizem respeito os resultados, a Fosun Insurance Portugal apresentou uma receita bruta de prémios de 3,9 mil milhões de euros, um rácio combinado líquido na atividade do ramo Não Vida de 98,4%, um rácio de solvência de 215,7% e um resultado líquido de 301,1 milhões de euros.

"A atividade internacional da Fosun Insurance Portugal continua a revelar um elevado desempenho comercial, tendo atingido um total de 202,1 milhões de euros em prémios diretos de seguro, um aumento de 13,7% relativamente a 2014”, informou a Fosun no final de marco do ano corrente.

 

 

Próxima paragem: Estados Unidos!

Apesar da importância da aquisição em Portugal, o "Warren Buffet chinês” não abrandou o ritmo sendo o alvo seguinte o gigantesco mercado de seguros dos Estados Unidos. Em julho do ano passado, a Fosun anunciou a conclusão da aquisição de 100% do Meadowbrook Insurance Group (MIG) por 439 milhões de dólares.

"A Meadowbrook irá reforçar a capacidade da Fosun para aceder a capital de alta qualidade a longo prazo, bem como melhorar as capacidades do grupo na área da atividade seguradora, quer no que respeita as responsabilidades, quer aos investimentos. Estamos empenhados em alavancar os recursos globais da Fosun de forma a promover o desenvolvimento estável da Meadowbrook a longo prazo”, afirmou Guo Guanchang.

A Meadowbrook é uma companhia de seguros patrimoniais e de responsabilidades e uma empresa de serviços de gestão de seguros que se centra em mercados especializados de nicho. Comercializa e subscreve programas de seguros patrimoniais e de responsabilidades e produtos de seguro numa base "admitted” e "non‑admitted” através de uma rede diversificada de mediadores de seguros independentes, empresas de seguros,  administradores de programas e agências generalistas.

É importante notar que a Meadowbrook dispõe de uma gama completa de licenças de seguro do ramo Não Vida em 50 estados do país, que cobrem segmentos de produtos autorizados e não autorizados.

A conclusão da aquisição da Meadowbrook deu à Fosun uma plataforma estratégica de seguros nos EUA, permitindo ao grupo estabelecer uma presença significativa no maior mercado de seguros patrimoniais e responsabilidades do mundo.

No ano passado, o MIG registou uma receita bruta de prémios de 726,5 milhões de dólares e um resultado líquido de 34,3 milhões de dólares, sendo o rácio combinado líquido de 100,3% e um rácio de solvência de 200,3%. O MIG detém ativos de investimento no valor de 1570,6 milhões de dólares.

 

 

E agora, o mercado especializado internacional

Em fevereiro do ano passado, numa altura em que preparava a aquisição do MIG, a Fosun concluiu a aquisição de aproximadamente 20% das ações ordinárias em circulação da Ironshore, o grupo de seguros especializados com sede nas Bermudas. O preço de compra foi de aproximadamente 466,6 milhões de dólares.

Como seria de esperar, em novembro do ano passado, o grupo chinês concluiu a aquisição do capital restante da Ironshore por dois mil milhões de dólares em dinheiro. A Ironshore é um grande passo em frente para a Fosun no importante, e hoje muito procurado, mercado de seguros "corporate" de grandes empresas. Além das Bermudas, a Ironshore tem operações nos EUA, no Lloyd’s e na Irlanda.

Em 2015, a receita bruta de prémios da Ironshore atingiu os 2,16 mil milhões de dólares, tendo o resultado líquido sido de 57,8 milhões de dólares sustentado por um rácio combinado líquido de 96,7%. O rácio de solvência foi de aproximadamente 166% e o total de ativos de investimento de 5,1 mil milhões de dólares. 

Dada a presença atual do grupo nos mercados primários do ramo Vida e Não Vida na China, cujo potencial é enorme, no mercado asiático e internacional de resseguros, no mercado continental europeu de seguros Vida e Não Vida e nos mercados comerciais especializados dos Estados Unidos, a aquisição da Ironshore deu à Fosun aquela que será possivelmente a última peça do puzzle, pelo menos por agora.

Aquando da divulgação do negócio, Guo Guanchang salientou as sinergias estilo Buffet de que as empresas irão usufruir na família Fosun, afirmando: "Agora e no próximo ano, a Fosun irá reforçar os esforços de integração e colaboração, procurando construir um grupo segurador e financeiro inter‑regional e intersetorial. Incentivamos as empresas em que investimos a colaborar sempre que possível e procuramos ligá‑las aos recursos da Fosun através das nossas plataformas seguradoras e financeiras de forma a melhorar a competitividade de cada empresa nos respetivos setores”.

E a Ironshore não demorou a tirar partido do potencial do novo grupo, já que em janeiro anunciou que a sua subsidiária no Lloyd’s, a Pembroke Managing Agency, iria abrir um escritório em Xangai para integrar a plataforma do Lloyd’s na China. A Pembroke Managing Agency de Xangai irá subscrever segmentos especializados de seguros, focando‑se inicialmente nos setores da agricultura, do mar e da saúde.

Tracy Ma foi nomeada responsável pela subscrição nesta entidade, reportando a Hui Yun Boo, diretor executivo da Ironshore para a região da Ásia‑Pacífico.

"A empresa-mãe da Ironshore, a Fosun, que tem sede em Xangai, coloca‑nos numa posição diferenciada no mercado local, permitindo‑nos oferecer produtos especializados no país para ir ao encontro da crescente procura que se verifica nesta cidade vibrante”, afirmou Mark Wheeler, CEO da Ironshore International.

Hui Yun Boo afirmou que o novo escritório de Xangai complementa a presença atual da Ironshore nos centros de crescimento da região da Ásia‑Pacífico, como Singapura, Hong Kong, Tóquio, Sidney e Auckland. É interessante notar que apenas dois meses depois, no dia 22 de março, o conselho de administração da Fosun anunciou que a empresa estava a considerar fazer uma oferta pública inicial (OPI) das ações ordinárias da Ironshore.

"À data da presente comunicação, não foi ainda tomada a decisão final pelo conselho de administração da Empresa nem da Ironshore sobre a possibilidade, o momento ou o local de uma OPI”, declarou o grupo. Seja qual for a decisão da Fosun em relação a Ironshore, e claro que o grupo chinês continuará a construir a atividade no espaço internacional dos seguros. Como afirma Lan Kang na entrevista nas páginas seguintes, a Fosun manter-se-á focada neste mercado e usará as bases portuguesa e internacional para procurar novas oportunidades de crescimento. Ficaremos atentos aos novos desenvolvimentos! 

 

 

Guo Guangchang encontra‑se com o seu modelo de referência em mesa‑redonda de CEOs norte‑americanos e chineses

Em setembro passado, o presidente chinês Xi Jinping marcou presença na mesa‑redonda de CEOs norte‑americanos e chineses em Seattle organizada pelo Paulson Institute e pelo China Center for the Promotion of International Trade. Este foi o ponto alto do segundo dia da visita do presidente chinês aos Estados Unidos. Nesta mesa‑redonda, Xi Jinping salientou que, devido às diferenças nas etapas de desenvolvimento, as economias da China e dos Estados Unidos são altamente complementares.

O presidente chinês afirmou que há mais espaço e mais oportunidades para cooperação económica e comercial bilateral. Xi Jinping acrescentou que a China apoia grandes empresas norte‑americanas que estabelecem sedes regionais e centros de investigação na China e instou mais pequenas e medias empresas dos EUA a expandirem a atividade na China. Por sua vez, os investimentos chineses nos Estados Unidos irão também continuar a crescer, afirmou.

Participaram na discussão 15 CEOs das maiores empresas da China, incluindo Guo Guangchang da Fosun, e 15 CEOs das maiores corporações dos EUA, incluindo Warren Buffet da Berkshire Hathaway.

Em jeito de brincadeira, Guo Guangchang afirmou ser um estudante de Buffet, na mesa‑redonda em que apresentou os projetos de investimento da Fosun nos EUA, incluindo as recentemente adquiridas Meadowbrook Insurance Group (MIG), e Ironshore e a participação em programas sino‑americanos de cooperação e intercâmbio cultural e artístico.

Durante a mesa‑redonda, Guo Guangchang afirmou que os Estados Unidos tem a maior concentração de recursos qualificados e que, dado o enfoque da Fosun em quatro grandes áreas – seguros, banca privada, saúde, bem‑estar e "lifestyle” –, o grupo explora ativamente os melhores projetos de cooperação.

Aquela data, o volume de investimentos da Fosun nos Estados Unidos já tinha ultrapassado os cinco mil milhões de dólares, tendo criado um total de 4895 oportunidades de emprego, afirmou Guo Guangchang. 

Além da Ironshore e do MIG, entre estes investimentos contam‑se: o estabelecimento de três laboratórios farmacêuticos em Silicon Valley para a investigação e desenvolvimento global 24/7, bem como mais de dez projetos de investimentos em cooperação, tais como o edifício 28 Liberty, uma referência em Nova Iorque; a St John, reputada marca norte‑americana de vestuário feminino; o Studio 8, empresa inovadora de cinema de Hollywood; e um conjunto de projetos de capital de risco.

Durante a mesa‑redonda, Buffet e o "Buffet chinês” tiveram a oportunidade de se encontrar pessoalmente e chegaram a um consenso: o de continuar a ser otimistas em relação a economia chinesa e o de continuar a aderir a disciplina de investimento em valor.


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