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Entrevista a Toby Esser

O talento para atrair os talentos certos e para manter uma atitude prática parece fulcral para cuidar de uma empresa de sucesso.

Entrevista a Toby Esser
Sob a sua liderança, a Cooper Gay e, posteriormente, a Cooper Gay Swett & Crawford (CGSC) cresceu consideravelmente até se tornar o único corretor de wholesale e de resseguro verdadeiramente global e o maior corretor do Lloyd’s. Pode partilhar connosco os principais marcos desta história de crescimento?
Embora os lucros tivessem já vindo a aumentar ininterruptamente todos os anos, desde 1997, quando me tornei Chief Executive em 2001 foi levada a cabo uma imediata restruturação da empresa. Tentámos estruturar-nos segundo o modelo das empresas cotadas em bolsa, ou da forma mais semelhante possível. Criámos um conselho de administração para as holdings, contratámos diretores não-executivos e formámos uma comissão executiva no conselho de administração da sociedade holding, à qual presido.
Desde então temos evoluído, ano após ano, à medida que os regulamentos e padrões de compliance mudam, tendo sido a nossa evolução determinada pela entrada de novos acionistas externos.


Pode falar-nos mais do investimento da Lightyear e de como este ajudará a CGSC a progredir?
O conselho de administração da CGSC decidiu que devíamos incluir novos investidores para realmente fortalecer o Balanço e assim dar-nos capacidade para adquirir mais empresas. Existem grandes oportunidades de crescimento no decurso dos próximos anos e queríamos ter a certeza de dispor do capital necessário para as podermos aproveitar. Como parte deste processo, estamos também a refinanciar a dívida associada à fusão com a Swett & Crawford.
A Lightyear e o fundo canadiano de pensões PSP estão a investir no Grupo. São altamente respeitados no mercado e é com grande entusiasmo que vemos esta parceria. O seu conhecimento ímpar da indústria de serviços financeiros e a experiência que trarão ao conselho de administração ajudar-nos-á certamente a dar o passo seguinte no desenvolvimento da CGSC.


O que pensa ter motivado o interesse dos novos investidores na CGSC e que impacto terá esta parceria na evolução da empresa?
A CGSC construiu uma reputação invejável ao longo dos últimos anos. Começámos com a ambição de pôr o mercado a considerar a CGSC como empresa de sucesso, com um crescimento sustentável, responsável por acções de relevo, e creio que o conseguimos.
A Lightyear queria associar-se e investir numa empresa que crescesse e lhes proporcionasse um lucro considerável ao longo dos próximos anos. O fi t foi perfeito. Nós queremos crescer, não queremos pegar no dinheiro e fugir mas sim usá-lo para desenvolver a nossa empresa.
O perfil etário da nossa gestão de topo também é atraente para os investidores. Todos nós temos muitos anos de vida profissional pela frente.


Quais são os elementos fundamentais no ‘ADN’ da Cooper Gay e da CGSC que tem sustentado a evolução da empresa?
A Cooper Gay começou por ser uma empresa muito pequena. Não há muito tempo, estávamos limitados a um escritório e uma operação muito pequena em Londres. Felizmente fomos capazes de reter os melhores elementos e manter a mentalidade empresarial, mesmo que agora tenhamos uma muito maior dimensão, com 65 escritórios em 16 países por todo o mundo.
Fomos capazes de nos fazer rodear de pessoas com espírito empreendedor e desenvoltura. A criatividade e desejo de fazer negócio nunca desapareceram o que, creio eu, é fundamental para a continuação do nosso sucesso.
Contudo, a nossa equipa nunca descansa à sombra dos louros e nunca celebramos os nossos sucessos.
Estamos sempre concentrados no que vem a seguir. Também existe um desejo coletivo na CGSC de fazermos em absoluto o nosso melhor. Queremos que a nossa marca seja associada à melhor das empresas, uma empresa onde as pessoas queiram trabalhar, uma empresa criativa que consegue coisas notáveis, com uma visão sólida do que pretende alcançar no futuro.


Como vê a economia em geral e as perspetivas para os mercados de resseguro e seguro?
Não sou economista, pelo que seria errado da minha parte falar da economia em geral, mas diria que, neste momento e do ponto de vista dos seguros, ainda estamos a sofrer, em resultado das condições económicas atuais. Muito simplesmente, as taxas de juro são muito baixas e há muito pouco a lucrar com as flutuações, o que é negativo do ponto de vista do corretor de seguros.
A área de construção está estagnada em várias partes do mundo, especialmente nos EUA. Os transportes estão relativamente em baixa e o setor marítimo sofre bastante. Globalmente, em tempos difíceis, quando se tem de escolher entre pagar as contas e comprar seguro de responsabilidade civil profissional, as pessoas tendem a não comprar o seguro.
De modo geral, a economia está a afetar-nos negativamente, mas por outro lado há certas áreas da América Latina e Austrália onde a economia está forte e a CGSC está a beneficiar com isso. Contudo, estes problemas não parecem ter refreado os investimentos no setor dos seguros e resseguro. Existe ainda muito capital disponível que, por sua vez, mantém pressão sobre o clima de notação financeira.


Finalmente, em que partes do mundo vê a CGSC maior potencial de crescimento das suas operações nos próximos 5 anos?
Há potencial contínuo de crescimento orgânico nos mercados emergentes, em especial a América Latina onde as nossas taxas de crescimento históricas são muito elevadas.
A CGSC também pretende avançar mais na Ásia durante os próximos anos. A nossa base é relativamente reduzida neste momento, pelo que talvez tenhamos de recorrer ao crescimento por aquisições.
África interessa-nos. Não temos escritório na região neste momento e gostaríamos de mudar isso, já que a região começa a demonstrar algum potencial. Certas partes do Médio Oriente e Ásia Central também apresentam boas possibilidades.
Nos mercados mais maduros da Europa do Norte, Reino Unido e EUA, onde somos fundamentalmente maiores, é obviamente mais difícil atingir um crescimento orgânico superior a 20%. Esperamos, contudo, continuar a crescer substancialmente nessas áreas, particularmente porque os mercados têm apresentado melhorias ao longo dos últimos dois anos.
Trabalhar com uma rede em rápida expansão como a BrokersLink é também parte importante da nossa estratégia de crescimento. À medida que entram novos membros de novas regiões, esperamos trabalhar e estabelecer parcerias com eles de modo a penetrar nesses países e construir a nossa atividade paralelamente à deles. Isto é especialmente verdadeiro em regiões onde vemos mudanças na forma como os corretores fazem negócio. A abertura de novos mercados criará certamente oportunidades entusiasmantes no futuro.

Toby Esser juntou-se à Cooper Gay em 1984 como broker na área de patrimoniais (não-marítimo) e liderou a equipa que fundou e geriu o escritório da Cooper Gay em Nova Iorque em 1988.
Desde 1997 faz parte do conselho de administração e foi nomeado CEO da Cooper Gay em 2001. Na sequência desta nomeação, a Cooper Gay expandiu-se rapidamente, tanto organicamente como através de aquisições estratégicas, como a compra da Junge & Co. na Alemanha e várias aquisições no Reino Unido.
Sob a sua liderança, as receitas da Cooper Gay aumentaram de 20 para 100 milhões de GBP, geradas por mais de 25 escritórios por todo o mundo; os lucros têm aumentado de ano para ano e o número de acionistas já ultrapassa os 100.
Em 2010, a Cooper Gay juntou forças com um dos principais brokers de wholesale nos EUA, a Swett & Crawford, dando origem ao único corretor de wholesale e de resseguro verdadeiramente global e o maior corretor do Lloyd’s. Firmando-se esta aliança, Toby foi nomeado CEO do novo Grupo Cooper Gay Swett & Crawford.
Hoje, o Grupo é responsável pela colocação de cerca de 4 mil milhões de dólares em prémios nos mercados internacionais de seguros de Londres, EUA e outros, empregando cerca de 1400 pessoas em quatro continentes.
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