Fullcover

Entrevista a Evan Greenberg

ACE: Uma empresa com vocação e capacidade globais

Evan Greenberg
Com mais de 25 anos de história, a ACE concentra metade do seu negócio nos Estados Unidos e restante América do Norte, mas ambiciona chegar longe na América Latina e Sudeste Asiático, continuando a olhar com entusiamo para as oportunidades na Europa.

O seu chairman e CEO, Evan Greenberg, define-a como uma organização optimista e bem posicionada para aproveitar as oportunidades de crescimento. Empenho, paixão pelo trabalho, excelência técnica e uma organização pouco hierarquizada, que dá liberdade aos colaboradores, mas também os responsabiliza, são algumas das mais-valias da ACE, garante o líder.

Contas equilibradas, uma oferta de serviços sofisticada (mais de 200 produtos e serviços), presença local em mais de 50 países (com mais de 16 mil colaboradores) e uma rede corporativa totalmente integrada, suportada nas mais inovadoras ferramentas tecnológicas, colocam a ACE "no topo da lista” das empresas com verdadeira vocação e capacidade global.


Em 2010-2011 a ACE assinalou 25 anos de atividade. Para si, quais as metas alcançadas neste quarto de século de operações? 
A ACE iniciou a sua atividade em 1985 na sequência de uma crise na área das responsabilidades que ocorreu nos EUA e que levou a que cerca de 34 empresas, que precisavam rapidamente de um seguro de responsabilidade civil, se juntassem para formar uma seguradora em tempo recorde. Optaram por constituir a empresa através de uma "offshore” nas ilhas Caimão e para efeitos de gestão de risco, estabeleceram a sede e principais operações da empresa nas Bermudas.
Há 25 anos, a ACE era especializada numa única linha de produto e tinha apenas uma localização. Desde então, ao longo dos últimos 25 anos, crescemos e tornámo-nos hoje numa das maiores seguradoras globais a operar em múltiplas linhas de negócio. Cerca de metade do nosso negócio está nos Estados Unidos e América do Norte e o restante é gerado em mais 50 países pelo mundo fora. Temos operações em todos os mercados mais relevantes da América Latina, Ásia e Europa. Creio que é um feito notável tendo em conta que começamos do zero e que tudo foi conseguido em apenas 25 anos.


Crescimento: oportunidades e desafios

Têm demonstrado um ritmo de crescimento impressionante na américa latina. Quais são os vossos objetivos e que planos têm para sustentar o sucesso das vossas operações nesta região?
Apesar do Brasil ter um potencial enorme, devido à sua dimensão, também estamos muito entusiasmados com outros mercados nesta região, como é o caso do Chile e dos países dos Andes, Peru e Colômbia. As nossas operações na Argentina estão a correr muito bem e o México apresenta-se como um mercado segurador muito relevante para a ACE uma vez que a sua economia está a crescer a um ritmo bastante acelerado.
No entanto, o ambiente económico e regulatório do México está aquém do ambiente que se verifica no Brasil e que tem vindo a sustentar o seu desenvolvimento. O atraso relativo do México irá pesar na sua capacidade de crescimento económico ainda por algum tempo.
Não obstante, optámos por fazer uma forte aposta de investimento nesta região e estamos preparados para aproveitar as tendências que estão a liderar o seu crescimento: uma classe média em expansão, economias em rápido desenvolvimento que exigem infraestruturas e energia para suportar o seu crescimento e até certo ponto, a reestruturação do peso do governo, o qual está a procurar dar mais espaço ao sector privado para crescer, quer ao nível das pequenas empresas, quer ao nível das grandes multinacionais. Existe muito talento e capacidade nesta região.
Quanto ao Brasil, quase um continente em si - pela sua dimensão, escala, diversidade humana, costumes e culturas, que coexistem nas diversas regiões e que são verdadeiramente extraordinárias - é um mercado no qual apostamos fortemente e estamos conscientes que sabemos como ajudar o país e a sua economia a desenvolverem-se, ao mesmo tempo que procuramos ser bons cidadãos empresariais.
Não há desenvolvimento num país se não houver uma boa indústria seguradora e nós somos parte integrante dessa evolução. Estamos bem posicionados, tal como em toda a região – estou muito otimista sobre as perspetivas para o Brasil e México em particular e, tal como já referi, para toda a América Latina.


O Brasil está finalmente a desinvestir do IRB (instituto de resseguros do brasil). No entanto, contínua presente na atividade seguradora para o setor privado. Considera que este facto poderá dificultar o sucesso a longo prazo da ACE no Brasil? 
Pessoalmente, considero que sim, que pode atrasar o desenvolvimento do país. Não me preocupa particularmente do ponto de vista da ACE, porém creio que é contra os interesses do país haver interferência no setor privado, isto é, prejudicar o sector privado a favor de um cartel apoiado pelo governo ou de uma empresa local cartelizada.
Na realidade, o papel do IRB é este; opera em função dos próprios interesses inibindo assim o crescimento da indústria, principalmente porque esta postura condiciona o acesso a capital nos mercados globais.
No fundo, está-se a limitar o acesso à capacidade global. Sejam quais forem as necessidades de infraestrutura, quer para o Mundial de Futebol, para as Olimpíadas, para projetos de desenvolvimento energético, portos, estradas ou comunicações, existe uma grande necessidade de capacidade, bem como de acesso a formas eficientes de gerir o risco dessa atividade.
Quanto mais eficiente o acesso ao capital, melhor o preço. Tenho por certo que esta intervenção do governo serve apenas para defender indevidamente os interesses de uma entidade local, sob pena de prejudicar a eficiência de funcionamento do mercado – vai inevitavelmente prejudicar a atividade empresarial no Brasil.
A meu ver, é uma política mal pensada e transmite uma mensagem muito negativa. Por outro lado, à medida que as suas empresas crescem e se tornam mais competitivas, o Brasil dependerá cada vez mais de mercados livres e abertos pelo mundo fora para exportar os seus produtos e serviços. E é provável que, mesmo nos mercados de acesso livre que hoje aceitem o IRB a querer desenvolver as suas operações internacionais, surjam algumas reações adversas ao facto de, em território brasileiro, o governo praticar medidas protecionistas.
O Brasil não é caso único. Em muitos países existem práticas protecionistas duvidosas e creio que estão a ser muito mal conduzidas, pois prejudicam os interesses dos próprios países e o sistema de transações internacionais.


Quais são as outras regiões que apresentam oportunidades interessantes para a ACE? 
Somos uma empresa muito otimista e eu, naturalmente, também sou uma pessoa muito otimista, pelo que vejo muitas oportunidades para a nossa organização em muitos locais do mundo.
A Ásia e a América Latina são bons exemplos, devido às suas características demográficas e tendências económicas e ao desenvolvimento financeiro e político a que se tem assistido nestas regiões e que está a preparar o terreno para o desenvolvimento empresarial a longo prazo.
Embora exista alguma volatilidade, assiste-se a um enorme crescimento da classe média, da comunidade empresarial e das economias em geral. Assim, reconhecemos que existe um grande potencial no Sudeste e Norte Asiático.
Existe também grande potencial na América Latina e ainda no Médio Oriente. Apesar de estar a atravessar um período de alguma incerteza, estamos já a analisar e a capitalizar nalgumas das oportunidades que identificámos nesta região. Mas é de referir que nos Estados Unidos e na Europa, também encontramos oportunidades para expandir as nossas operações.
Em síntese, estamos bem posicionados a nível global para aproveitar estas oportunidades de crescimento, quer pela identificação de forças em determinados países, quer pela identificação de algumas fraquezas e focos de stress. Embora sejam elementos que aumentem o risco nalguns casos, também podem criar grandes oportunidades.


O incentivo a uma indústria corretora forte
Como espera que evolua a relação entre a ACE e os grandes corretores de seguros ao longo dos próximos cinco anos?
A ACE é uma empresa de "corretagem”, esta é uma das nossas principais plataformas de distribuição. Estamos dependentes de e apoiamos uma indústria de corretagem forte. A Marsh, Aon e Willis são as três maiores empresas de corretagem e nós apoiamos e estimulamos o seu crescimento.
Ficamos contentes quando os vemos a serem bem-sucedidos. Por outro lado, também apoiamos uma rede de distribuição diversificada, pois necessitamos de mais do que apenas três corretores. Assim, como o negócio de corretagem é a nossa plataforma de distribuição por excelência, procuramos apoiar o seu crescimento como um todo e a nível global. 


No que toca às diversas redes de corretores, procuram trabalhar com elas de forma estratégica ou procuram antes uma abordagem com corretores locais em função do país em que operam?
Na realidade, procuramos as duas abordagens. As redes de corretores foram e continuam a ser muito importantes, pois permitem aos corretores mais pequenos, locais, concorrer com os grandes, em particular no que concerne às grandes operações além-fronteiras.
Independentemente dos seus clientes serem multinacionais ou regionais, estes corretores precisam de os acompanhar. Isto é cada vez mais verdade com o aumento da globalização das economias – é uma tendência irreversível, embora possa enfrentar algumas dificuldades. Os corretores têm de ser capazes de servir os seus clientes, de os acompanhar além-fronteiras.
É um facto que, para muitas empresas, grandes ou pequenas, uma parte significativa das suas operações depende da sua capacidade para desenvolver negócios a nível internacional. É assim que surgem as oportunidades. As redes apresentam uma oportunidade para os corretores mais pequenos, razão pela qual apoiamos e fomentamos o seu desenvolvimento.


A dimensão e complexidade dos programas internacionais são questões que preocupam muitas das grandes empresas com presença global. De que forma é que a ACE está a responder às necessidades deste segmento estratégico do mercado? 
Para começar, somos atualmente uma das poucas seguradoras especializadas em patrimoniais e responsabilidades com presença global. Temos presença local efetiva em 53 países e temos capacidade para servir clientes locais e internacionais.
Temos uma estrutura de capital forte, temos a oferta de serviços, a sofisticação e, acima de tudo, uma cultura e rede totalmente integradas, suportadas pela tecnologia mais avançada, o que nos permite apoiar as empresas multinacionais pelo mundo fora, quer na gestão, quer na transferência do seu risco.
Temos uma profundidade e abrangência de serviços ímpar para fazer face às necessidades dos nossos clientes – são muito poucas as empresas nessa situação, consigo contá-las nos dedos de uma mão -, e mesmo assim, algumas desempenham bem esta função global, outras nem por isso. Considero que nós estamos no topo da lista.


Uma cultura distintiva

Como caracteriza a cultura organizacional da ACE?
Uma empresa que ambicione distinguir-se no mercado, procura ter uma cultura única e distintiva. Nós passamos muito tempo a refletir sobre a nossa cultura e sobre o que define os nossos valores e interesses comuns dentro da ACE – são esses os aspetos que definem uma cultura corporativa. Nesta empresa, aquilo que aparece em primeiro plano é o "otimismo”. Somos otimistas por natureza, temos uma cultura otimista.
A nossa organização está pouco hierarquizada, o que facilita bastante a comunicação interna. E a responsabilização é fundamental. Se por um lado, temos uma cultura de respeito pelo próximo e dignidade no trato, por outro lado, fomentamos a frontalidade.
Ao mesmo tempo que delegamos muito atribuímos responsabilidade e liberdade aos nossos colaboradores, por outro lado exigimos que as pessoas respondam pelos resultados do seu trabalho. A nossa organização é bastante integrada apesar de atravessarmos uma multiplicidade de culturas internacionais e geografias. Temos muita paixão pelo nosso trabalho, somos motivados, disciplinados e focados nos nossos objetivos.


Que tipo de talentos procura nos seus quadros de topo?
A nível mais sénior, procuro pessoas que se comportem como gestores-acionistas, na forma como pensam e desempenham as suas funções. No fundo, são os donos deste negócio. Têm excelência técnica nas suas áreas de responsabilidade e grandes qualidades organizacionais. São líderes destacados, capazes de inspirar e comunicar. Sabem que dependem dos outros para alcançar os objetivos e são muito focados nos resultados.


A ACE prefere promover dentro da organização?
Sim e sim! Quando alguém começa a trabalhar na ACE, não escolhe um emprego mas antes uma carreira. Tem uma missão que é fazer parte de uma organização que ambiciona ser uma das melhores empresas do mundo.


Seguros: uma herança genética

Porque escolheu o setor segurador para desenvolver a sua carreira? O que o motiva neste negócio?
Bom, não foi difícil escolher este setor. Fui criado no meio, esta atividade está no meu ADN. O meu pai é muito conhecido pelos grandes contributos que fez para o desenvolvimento do sector a nível global, talvez das maiores que alguma vez foram feitas por uma única pessoa.
Desde criança que estou rodeado por temas de seguros – às vezes até brincamos, dizendo que eu já tinha a minha própria demonstração de resultados quando tinha apenas 7 anos. O que me leva ao sucesso? Começa comigo, comporto-me como um gestor-acionista. Essa é a minha plataforma de criatividade, é a forma que eu encontro para exprimir-me.
Quero pertencer a algo que é superior a mim, que ajuda a transformar a sociedade. Creio que é uma ambição comum a todos nós, queremos que a nossa vida tenha sentido. E todos queremos pensar que o mundo ficou um pouco melhor por nossa causa. É isso que me motiva diariamente – construir uma grande organização verdadeiramente sustentável, que ainda cá estará para as gerações futuras. É essa a minha missão. 


Quais as três lições mais relevantes que aprendeu pelo facto de dirigir uma seguradora?
Talvez a primeira seja que toda a gente tem de desbravar o seu próprio caminho. Digo a toda a gente que têm de ser fiéis a si mesmos. Têm de ser verdadeiros, pois só assim serão credíveis perante os outros. Logo a seguir, creio que o mais importante é ter uma clareza de visão e boa capacidade de comunicação – saber traduzir essa visão numa estratégia e numa agenda de prioridades, tendo muita clareza sobre a definição das mesmas.
Uma organização tem uma capacidade limitada de concentração para executar as tarefas mais prioritárias, daí que seja muito importante que as pessoas percebam o que estão a fazer e porquê – a isso chama- -se comunicação e contexto estratégicos.
Em segundo lugar, o nosso negócio é o Risco. A seguir às pessoas, o Balanço é o ativo mais importante que temos. A nossa capacidade de gestão e proteção desse Balanço é crítica, sendo que anda lado a lado com a boa gestão da exposição ao risco. "Não gira o prémio, gira a exposição”.
E, finalmente, deve-se liderar a partir da linha da frente. A posição do CEO é um ativo valioso para a organização e não deve ser desperdiçada nem por um minuto dos 365 dias do ano.


Uma indústria estável com regulação excessiva

Como vê a performance da indústria seguradora durante este período prolongado de incerteza e turbulência financeira? 
A indústria tem demonstrado uma resiliência incrível ao contrário dos restantes sectores da indústria financeira. Tem-se pautado por uma estabilidade impressionante, quer durante, quer a seguir à crise e mesmo neste momento atual tão volátil.
A indústria seguradora tem continuado a servir a sociedade, os seus acionistas e clientes de forma bastante admirável. Este deve ser um motivo de orgulho para toda a indústria.
No seu todo, creio que a indústria tem uma estrutura de capital saudável e que está a gerir de forma eficiente a sua oferta de serviços. Ao mesmo tempo, creio que é necessário um maior foco da indústria em termos de retorno de capital, nomeadamente tendo em conta uma adequada alocação de capital ao risco. Isto porque estamos num negócio bastante cíclico e muitas empresas, apesar de afirmarem o contrário, acabam por perseguir cegamente ganhos de quota de mercado muitas vezes em detrimento de níveis aceitáveis de retorno sobre o capital investido.


O ano de 2011 foi um dos piores de sempre no que toca à ocorrência de eventos catastróficos. Considera que a indústria tem respondido de forma positiva? O que se pode fazer ainda este ano e no futuro para responder à ocorrência continuada de catástrofes?
É verdade que ao longo dos últimos 18 meses, a indústria verificou um nível de prejuízos causados por catástrofes bastante significativo; no entanto, tem conseguido orientar-se bastante bem. Cumpriu com todas as suas obrigações em tempo útil e de forma equitativa. Mas, a indústria apenas pode assumir a proteção de risco na medida que tem uma adequada estrutura de capital.
A questão do risco de catástrofe vai muito além do risco de indústria – é um tema social e político. Os políticos e reguladores têm de perceber que a atividade seguradora é apenas uma parte da solução. Temos de saber cobrar uma taxa devidamente ajustada ao risco.
Códigos imobiliários desajustados que permitem que se construa em regiões muito propensas à ocorrência de catástrofes, sem reconhecer as consequências, representam um enorme prejuízo para a sociedade. Preocupo- -me muito com esta questão e também com os movimentos populistas que procuram evitar que as seguradoras cobrem a taxa mais adequada. No fundo, isso traduz-se numa aceitação de mau comportamento.
O facto de não se adaptarem os códigos de construção imobiliária significa também que estamos a subsidiar este mau comportamento. Estamos a permitir um excesso de concentração de valor nalgumas zonas propensas à ocorrência de catástrofes e preocupo-me com as implicações sociais desse comportamento no futuro. 


Em que medida é que o aumento de regulação do setor segurador tem alterado a estrutura dos programas globais de seguro?
Penso que muitas das alterações a ocorrer na indústria não foram devidamente ponderadas – não percebo bem a que tipo de problemas estão a tentar responder. Concordo que a modernização da regulamentação e supervisão da atividade seguradora é importante, no entanto o principal objetivo dos mesmos reguladores deve ser proteger os interesses dos detentores das apólices de seguro.
Tenho dúvidas sobre os benefícios deste aumento de regulamentação, em particular na Europa, tendo em conta a performance da indústria seguradora durante a crise financeira.
Penso que a burocracia é excessiva, existe demasiada "regulamentação sobre regulamentação” e creio que representa uma carga demasiado pesada sobre a indústria. Por estranho que pareça, todos estes desenvolvimentos vieram apenas criar mais ineficiência sem se traduzirem em melhorias de performance das seguradoras.


E no que diz respeito aos desenvolvimentos da regulamentação nos estados Unidos e na europa, qual a sua opinião sobre o seu impacto nas operações das seguradoras?
Temos de considerar várias regiões mundiais pois não creio que exista uma solução uniforme para todas. Creio sim, que deve haver um nivelamento de resultados ie: a proteção dos interesses dos segurados, de forma a que, quando um segurado compra uma apólice, deve poder confiar que a seguradora seja capaz de cumprir com as responsabilidades que assume.
Não existe no entanto um modelo único para regular essa certeza. Cada país e região são orientados pela sua própria cultura e história.
No caso da Europa, a abordagem é de tipo socialista, orientada pelo governo. Nos Estados Unidos, a abordagem é mais orientada pelo sector privado, uma abordagem claramente diferente.
Assim, o desenvolvimento normativo é influenciado pelo ambiente em que se insere. Nos Estados Unidos a regulamentação pretende apenas proteger os interesses dos detentores das apólices.
Todos os restantes interessados assumem o risco de ganho, sucesso ou perda, típico de um mercado livre e de natureza capitalista. Na Europa, em particular desde o desenvolvimento do regime de "Solvência II”, a regulação procura proteger não só os detentores das apólices mas também os interesses de obrigacionistas, acionistas e colaboradores, adotando um sistema desenhado para ter uma taxa de insucesso zero.
A meu ver, ao retirar-se o risco de falhanço por completo, também se limita drasticamente o risco de sucesso. Respeito a sabedoria europeia e o direito a desenvolver o seu próprio sistema e a ACE, no seu papel de cidadão corporativo responsável, será cumpridor integral da legislação aplicável. Mas, em paralelo, também valoriza a sabedoria do sistema americano e ainda de outras regiões.
Desta forma, um sistema global não deve ter um universo único de normas e regulamentos a aplicar a todos de forma igual. Deve antes estabelecer standards mínimos, definidos em termos de resultados. Só assim se consegue defender os interesses dos detentores de apólices. A partir do momento em que uma jurisdição atinja esses standards mínimos, então deve ser desde logo reconhecida pelas restantes. 


À luz da situação atual do mercado segurador e do mercado financeiro global, como acha que a ACE deve abordar o mercado? A ACE procura inovar nos seus produtos ou apenas se preocupa com as questões essenciais da subscrição?
Sou muito otimista no que diz respeito ao futuro da minha empresa. O negócio deve ser levado com cautela. É um negócio de longo prazo e para desenvolver uma seguradora de sucesso deve-se ter paciência em termos de estratégia e impaciência na sua execução.
Política de Cookies

Este site utiliza Cookies. Ao navegar, está a consentir o seu uso. Saiba mais

Compreendi
Descubra o mundo MDS